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Alda Maria Quadros do Couto

hortênsias arrastando cachos de flores pelo chão

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Poemas

De patriarca - o feminino - pedem-se notícias

 



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Os dias

Quais dias desses dias
quentes e secos dias do inverno tropical,
ou dias em que o sul se ergue e nos fustiga
para lembrar que a vida urge nas contradições
dos becos, trajetória da ventania.
Esses dias, vaga luz, ou aqueles
trágicos dias de apego,
dias em que mal te aqueces,
enquanto nos meus ouvidos já é noite,
alta e aguda noite lá de fora, aqui dentro.
Julho, 2003



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Uma década em branco e um poema encomendado

Pôr-do-sol em Aquidauana

Na curva do rio o sol deslumbra

o guardião da ponte o novo milênio espreita,

acena e pergunta o que fizemos.

O que foi que fizemos?

A alma do pantanal se alastra

na última curva do rio, antes do milênio.

As torres da catedral testemunham

o espanto das araras e dos sagüis: o que foi que fizemos?

Antes que o rio desista,

o milênio surgirá na curva mais fechada,

porque sempre esteve ali,

a murmurar segredos e promessas.



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Cinco poemas para um interlocutor reinventado

A lógica do delírio

O testemunho poético nos revela
outro mundo dentro deste,
o mundo outro que é este mundo.*

Avara e grata,
entre a rosa e o girassol,
contabilizo gardênias,
fictícios ícones
do encontro que
nem era aconchego
nem acolhia carências,
apenas aliviava egos em riste.

O cronista mente cada vez melhor,
a florista enlouqueceu - agora é rã
já foi pólen.

Na argamassa bruta dos dias
sem sol, tijolos de bruma,
as flores, minhas,
ainda brotam no pó.

A invenção do fogo



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