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Quais dias desses dias
quentes e secos dias do inverno tropical,
ou dias em que o sul se ergue e nos fustiga
para lembrar que a vida urge nas contradições
dos becos, trajetória da ventania.
Esses dias, vaga luz, ou aqueles
trágicos dias de apego,
dias em que mal te aqueces,
enquanto nos meus ouvidos já é noite,
alta e aguda noite lá de fora, aqui dentro.
Julho, 2003
Na curva do rio o sol deslumbra
o guardião da ponte o novo milênio espreita,
acena e pergunta o que fizemos.
O que foi que fizemos?
A alma do pantanal se alastra
na última curva do rio, antes do milênio.
As torres da catedral testemunham
o espanto das araras e dos sagüis: o que foi que fizemos?
Antes que o rio desista,
o milênio surgirá na curva mais fechada,
porque sempre esteve ali,
a murmurar segredos e promessas.
O testemunho poético nos revela
outro mundo dentro deste,
o mundo outro que é este mundo.*
Avara e grata,
entre a rosa e o girassol,
contabilizo gardênias,
fictÃcios Ãcones
do encontro que
nem era aconchego
nem acolhia carências,
apenas aliviava egos em riste.
O cronista mente cada vez melhor,
a florista enlouqueceu - agora é rã
já foi pólen.
Na argamassa bruta dos dias
sem sol, tijolos de bruma,
as flores, minhas,
ainda brotam no pó.