Na companhia de Artur, o guia, Fernando, amigo antigo, e Eloir, amigo recente, festejei meu aniversário, em 22 de outubro de 2008, com um passeio guiado pelo Vale do Rio Claro, (lugar do aniversário de Fabiana, em julho, no blog, “No vale do Rio Claro” ) sopé dos paredões de Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Há um ano e três meses vivo aqui, refugiada do calor de Cuiabá, onde vim parar por um grande susto de saúde em família. Mesmo assim, situação controlada, sem chances para reclamar.
A vida me trata muito bem, as bênçãos são permanentes, a força interna alimentada pelo contexto histórico e geográfico, sempre. Conhecer e tomar banho na quase nascente do rio Claro, um dos últimos que ainda se luta para preservar é o melhor presente: sair de lá carregando o lixo nosso (e o que outros deixaram, alienados), experiência indescritível de estar fazendo o mínimo, em busca de muito mais.
Festa e poluição, do corpo, da alma, do mundo, nunca mais. Sem comida, sem bebida, a não ser água, castanhas e biscoitos. Para quê, se amigos e família podem estar tão bem representados pelo panapaná de borboletas amarelas, migrantes de passagem, justo nesse dia. Só devoção, eu agradeço.
Estive também neste lugar em julho, em outra trilha, sem carro, andando horas pelo vale e pegando ônibus ida e volta pra Chapada, num glorioso passeio com Icléia e Eloir. O close do lugar mostra o buritizal, bem próximo do paredão onde nasce o Rio Claro, aí visto do outro lado, à esquerda do lugar visitado em outubro. Outro presente, outra bênção.
O lugar, o vale do Rio Claro, faz parte do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, onde se luta pela preservação e mais se perdem do que se ganham batalhas. Os inconscientes são muitos e poderosos, o despreparo é imenso, mas os poucos são os que resistem. Eu peço perdão. E agradeço. E me prometo que no ano que vem voltarei para encontrar a sobrevivência alcançada. Foi próximo a um dos paredões, ao fundo da foto, que tem no centro o mesmo buritizal do close, que Fernando fez a foto em que me vejo a levitar, de volta ao começo, da memória recente ao lugar abençoado, felicidade real, palpável. Conhecer a vegetação de transição, onde o cerrado e a mata se encontram, do árido ao úmido, é privilégio, não tem nome nem preço.
Chapada das meditações
Estou com uma vontade imensa de conhecer esse paraÃso. Um lugar de encontro com a vida e a natureza, junção perfeita para a busca da calmaria.
Saudades amiga....
Resposta atrasada
Não dá pra saber quem é a amiga. Se voltar, considere-se bem-vinda aos mistérios e às confusões de Chapada.